Axolotl

Sencillo

Como sencillo

es uno tranvia que se rompe

de una forma muy irregular.

Sencillo cadaver,

Que Haras Tu Cuando Mueras?



Escrito por Axolotl às 22h48
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Ressurrectus

Continuo minha maratona de estrangeiro em meu corpo. Vejo, vejo e não entendo. A cada passo, ouço a frase

Quo vadis

ressoando, talvez no vazio de meu cérebro. Imagine, se possível, a situação: meus passos nas pedras ecoam no interior de minha cabeça e reverberam, imperfectamente, indistinctos. E a cacofonia pedicura reproduz o discurso em meu entorno

Ele discute a noção de autoria... O Chico é mesmo o máximo... adorei o Atiq... nossa, como ele está velho... olha o Paulo Betti (ninguém olha para ele)... maravilha o Gay Talese... Nossa, essa Catherine Millet... o Markun engordou... O Samuel está muito engraçadinho...

Imperfecto. Imperfectamente. Indistincto.

Ambulâncias, bombeiros cruzam a avenida em grande vitesse. Salvam as vítimas do ônibus que reuniu pessoas no fundo do abismo. Os passos totolam na cabeça...

A solidão do lançamento de uma coletânea que ribomba no cérebro ainda vazio, como o estômago. Garoa. Pessoas indo e vindo, falando de... Paulo Gracindo. Manuel, very well, cuidado com o Lobo, que ele Antunes.

Sozinho, sem editor, nem agente, sem a amiga da hora, Cláudia, que já se tornou paixão passada, sem sequer saber. Sem lembrar, Manuel, que Michael, o outro, já era. E todos caçolam, enquanto do fundo vem o som da manifestação. Que cortem os pés das laranjeiras.

E no Café, o encontro com Lúcia, flor já bem aberta, ainda viçosa e bela, sem história, mas com memória, secretariando Borges, Proust e Flaubert. Eça é a história, Cunha dá bandeira e cachaça.

Ano que vem, ano que vem... Não sei.



Escrito por Axolotl às 22h36
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No comments

"Sei que se eu andar pelas ruas de seu país ninguém vai perceber que não sou brasileiro. Só na hora em que eu abrir a boca"

B. H. Obama, por telefone, ao pres. L. I. L. da Silva.

Esperto. Deu a canelada primeiro. Será que nosso presidente percebe a dubiedade? Como assim?, você pergunta. Ué, na hora em que Mr O abrir a boca, coisas inteligentes sairão. Todo mundo vai perceber que ele não é daqui. Basta ver...



Escrito por Axolotl às 13h23
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O luxo e o trabalho do artífice

Se você já leu na vida, deve conhecer a sensação: de repente, as manchinhas pretas sobre fundo branco formam algo que você bem que poderia ter dito, se tivesse tempo, vontade, talento... Ou então, naquele emaranhado de argumentos, às vezes tão bem tecidos que lembram a mais fina trama, você descobre algo que sempre soube, mas que nunca conseguiu dizer, ou escrever.

Lembrou da sensação?

Entonces, senti um imenso prazer ao ler a coluna do Caligaris hoje no jornal.

Reproduzo o último parágrafo:

"Qual a relevância disso tudo? Pois é, vou parecer catastrofista, mas penso assim: no dia em que formos incapazes de reconhecer e respeitar, no produto, a excelência do artesão, quando não soubermos mais enxergar o trabalho humano nos objetos que usamos, teremos perdido todo interesse pela vida concreta -inclusive pela nossa própria."

Por mais que eu tente, não consigo ir além.



Escrito por Axolotl às 12h48
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Diáspora

Descubro agora, como o marido, que a história da "dupla nacionalidade" do Gilberto Gil - aquele que foi sem nunca ter sido? - já vem de longa data. Dizem os colunistas do cotidiano que Aguinaldo Silva, o noveleiro, levantou a lebre em 2007 no blogue dele, quando estava no ar a novela... Essa.

Algum engraçadinho discorreu sobre a ascendência "afro-italiana" do bardo e filósofo. Não chego a tanto. Mas acho estranha a blindagem conferida ao político-cantor-globalizado. Ninguém mais comentou nada a respeito, nadita de nada. Todo ser humano honesto tem o direito de desfrutar das vantagens advindas da nacionalidade européia, desde que faça, é claro, jus. A notícia, se for verdadeira, faz lembrar de um chavão antigo: o Brasil tem saída: o Galeão (ou Cumbica, se a névoa deixar). E o discurso engajado sobre a superioridade da língua francesa, quero dizer, sobre a importância da africanidade imperativa no arco das relações sociais no Nordeste fica parecendo chuva numa tarde de verão: vem forte, causa impressão e passa logo, deixando só uma lembrança um tanto incômoda.



Escrito por Axolotl às 20h39
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Meu escritório

Atendendo a pedidos do respeitável, aqui está uma foto de meu escritório, onde escrevo (quando não está chovendo) e leio. Falando nisso, estou lendo A Guerra do Peloponeso.



Escrito por Axolotl às 20h27
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De ilusão também se vive

Você certamente não sabia disso. Nas horas vagas, este que vos tecla é produtor teatral e de dança - esta última tem me interessado sobremaneira. Para parecer que minha atividade tem alguma importância, solto a seguir algumas (poucas) fotos de produções do ano passado.



Escrito por Axolotl às 20h25
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Rescaldo - Audiobailarinas

Recuerdos de uma das produções de 2008.

As próprias, SESC Itaquera.

Vídeo-pavão, SESC Pinheiros



Escrito por Axolotl às 20h18
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Rescaldo - Bienal

Alguns recuerdos da Bienal "do vazio" (...).

Tobogã

Uma delícia escorregar do 3º andar... com carpete (muito mais rápido).

O palco, montado pelo Marcão e equipe, na véspera da abertura, ainda sem as cortinas.

Soundcheck do Fischerspooner, durante a tarde do domingo (25/10) - sem mortadela, please.

Casey Spooner



Escrito por Axolotl às 20h13
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Folha de hoje

EU JURO
Ao pegar seus documentos de cidadão italiano no consulado do Rio de Janeiro, na sexta, Gilberto Gil teve que fazer um juramento diante da bandeira hasteada do país.



Escrito por Axolotl às 13h07
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Azedo 2 - Predador x Alien

Fiquei azedo de novo. Não sei o que se passa, tchê! Se fosse fim de século, poderia dizer que era isso. Sei lá.

Bom, a novidade, para mim, é a quantidade de igrejinhas e seitas que afirmam que Barack seria o anticristo (com ou sem hífen? Não sei mais.). Coisa feia...

Anyway, passada a posse (será que o Lula já ligou?), congelados os julgamentos na ponta da ilha de Cuba e previsto o fechamento do "summer camp" de tortura, além da defesa da ofensiva de Israel em Gaza feita hoje, creio que já seja hora (é hora, é hora, é hora é hora é hora) de começar a mostrar sustança. E é aí que a porca (ou o burro) vai torcer o rabo. Não me pegue mal, não estou sendo pessimista, mas o governo do gajo só vai começar mesmo quando alguma medida realmente importante - para além do valor simbólico - seja tomada e, sorry, principalmente em política interna e, mais especificamente, em relação à crise (crise? que crise?). É nessa hora que os homens serão separados dos meninos und so weiter.

Falando em simbolismo, você já leu Mallarmé?

Mas, apesar de ser preparado e aditivado para o poder - malgré sua inexperiência - Barack não será nenhum chuchu no poder. Após a lua de mel, tendo que governar efetivamente, lidando com as tais forças terríveis - e, principalmente, com a opinião pública, que nunca foi modelo de fidelidade - torço para que o menino do Havaí consiga, pelo menos, chegar ao fim do mandato antes que um maluco qualquer o abrevie (o mandato). Acho que a posse foi um pouco como decolagem de vôo internacional: todo mundo tenta demonstrar uma calma relaxada mas, no fundo, todo mundo fica meio tenso até o bicho sair do chão e endireitar o bico. Ou ninguém ficou com aquela sensação de que algo poderia dar errado?

E, na verdade, deu: erraram o texto, mylord, a ordem das palavras alterou o adubo! Puseram a fidelidade antes do presidente e o juramento teve que ser refeito no dia seguinte. Bad sign. Brincadeirinha. No fundo de minha alma branca estou torcendo por ele, pela mulherona dele e pelas filhas lindas. E pelo resto de nós.



Escrito por Axolotl às 20h22
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Ecos

" I need a theatre. I believe myself to be a dramatist."

Yeats



Escrito por Axolotl às 19h26
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Erramos

Aprendi dia desses que "Barack" era um nome de origem judaica. Aprendi errado. Vi um documentário em que o próprio Barack conta que essa palavra vem da lingua paterna e que quer dizer algo parecido com "esse cara". Muito apropriado.



Escrito por Axolotl às 17h57
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Fire and Ice

Robert Frost? Nunca ouviu falar? Poor you...

Some say the world will end in fire; 
Some say in ice. 
From what I've tasted of desire 
I hold with those who favor fire. 
But if it had to perish twice, 
I think I know enough of hate 
To know that for destruction ice 
Is also great 
And would suffice



Escrito por Axolotl às 17h56
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Santo, Santo, Santo

Dei uma olhada de soslaio na posse do Salvador da Pátria Barack (nome de origem judaica, aprendo) Hussain (...) Obama (este, africano). Pensar que certo presidente pode telefonar para ele - com intérprete, é claro - e dizer para ele

Ai, hein, Negão!

me dá um calafrio que percorre da nuca até os pés.

Não compartilho da idéia de que ele será um superpresidente. Só queria que ele fosse normal. Em outras palavras, gente. Muitos pseudo-progressistas devem estar purgando suas culpas agora, até com camisetas da campanha por aí - vi algumas no Ibirapuera... - enquanto continuam vivendo do capital acumulado ao longo de séculos de segregação e exploração. Será que muda alguma coisa? Não sei. A ver.



Escrito por Axolotl às 18h49
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