Axolotl

Entalado

Este é um bloqueio.

Este é um bloqueio.

Este é, um bloqueio.

Este, é um bloqueio.

Este é um bloqueio.



Escrito por Axolotl às 19h40
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Escrito por Axolotl às 13h43
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Atiq Pourriol Foenkinos

Não, essa não é uma nova espécie de répteis salvos da extinção. São escritores franceses contemporâneos. Todos com um pé no cinema. Atiq Rahimi, ganhador do prêmio Goncourt, tem uma prosa devastadora pelo silêncio. Pourriol interessa por suas viagens filosóficas que têm por base a indústria cultural do inimigo "comum", l'Amérique. Já Foenkinos, dessujeito, brinca com tudo, dessubjetivando. Atiq, roubando uma frase do Marcelino Freire, tem uma poesia que não se mostra, encharcada que está na dor e no sofrimento. Pourriol tem a sede do saber, que parece saciada em nossos tempos difíceis. Foenkinos é um novo absurdo, que nos leva a pensar de cabeça para baixo.



Escrito por Axolotl às 00h55
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Heal the world

Preciso confessar: fiquei emocionado de uma forma que não esperava com a cerimônia para MJ. Foi só naquela hora que percebi o quanto esse cara foi influente e mudou tanta coisa que veio depois dele. Triste foi ver nos jornais de hoje que alguns jornalistas, especialmente aqueles que não contribuem em absolutamente nada, continuam a ressaltar a mordida no cachorro e não o óbvio que, por ser tão óbvio, foi tão pouco visto.



Escrito por Axolotl às 00h49
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Flip out

Pela segunda vez estive em Paraty, participando marginalmente da Flip, que teve muita festa, alguma literatura, um quê de internacional e um porre de pedras que não rolam.

Fui até reconhecido na rua. Você por aqui, venha, entre, veja minha exposição. Fotos medianas. Você continua na Defesa Civil? Percebi que fui confundido com outra pessoa e respondi. Sim. A resposta foi desconcertante. É melhor que trabalhar com o sogro. Coitado de meu clone.

A chegada foi a maior aventura. Arrisquei a famosa Cunha-Paraty (ou vice-versa-vice). Ocorre, senhores, que tal estrada não existe. Embora alertado por avisos de que a estrada estava interditada, fui avançando, avançando... Até dar de cara com uma corrente que impedia o avanço. Um operário ou capataz perguntou sobre o meu destino. Não quis alongar a conversa e disse que era Paraty. Gentil, ele liberou a passagem. Foi o primeiro pesadelo acordado que tive em minha vida. Mares de lama, pedras de todos os tamanhos que martelavam o assoalho do carro, trechos em que a gravidade dirigia sozinha e o susto maior: uma pedra enorme, de umas duas toneladas, no meio da "pista", com um caminho indo pela direita e outro pela esquerda. Decidi parar o carro e verificar qual era o caminho certo, se é que havia. Dei dez passos para descobrir que o caminho da direita acabava numa queda de uns dez metros de altura, dentro de um rio pedreguento. Do lado esquerdo, a estrada continuava por uma ponte estreita de madeira e em seguida literalmente por um vão sob uma pedra gigantesca. Sobrevivi. Foram os dez quilômetros mais longos de minha vida. Assim que der, quero voltar...

Quanto à Flip, Flipinha, Flip-zona, off-Flip e outros quejandos, senti certa insatisfação no ar, principalmente por parte dos "alternativos" e daqueles que não tinham dinheiro nem ingresso para as mesas. Apesar do telão "comunitário", já que dá para ver e ouvir muito bem o que acontece.

A manifestação "contra" o condomínio Laranjeiras - aquele "chic no úrtimo" - foi outra das notas dissonantes. Quanto à programação... Waal.

A off foi mais interessante. Conheci a Lucia Bittencourt (A Secretária de Borges) e conseguimos nos comunicar sem palavras. Não consegui entrar muito na mesa dos ganhadores do prêmio Sesc, mas, all in all, valeu.

Agora, nesta Flip das mulheres, o que mais me alegrou foi saber (hoje) que Edna O'Brien desancou Chico Buarque de maneira primorosa. Bravo! A guerra é uma coisa boa!



Escrito por Axolotl às 00h46
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Sem segredos

Catherine Millet tem olhos vivos. Instigada por Luisa Duarte, falou por quase duas horas sobre aquilo que realmente importa, Arte. Talvez de forma um pouco árida para os incautos, mas a serenidade e clareza dominam seu entorno e nos iluminam.

Diz-se cansada de todos esses artistas que dizem que a guerra não é boa e aguarda o artista que remará contra essa corrente. Pensando bem, talvez seja este tipo de visão que precisamos na Arte, na política, na filosofia, na rua.

Catherine Millet não falou de sexo, nem de ciúmes. Falou de coisas para além do supérfluo que a envolveu desde 2001. Mostrou-se, sem segredos, e nos deixou - para voltar em breve, espero. Foi um rio que passou. Quando as águas baixarem, talvez possamos ver a nova configuração da terra. 



Escrito por Axolotl às 00h25
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Sencillo

Como sencillo

es uno tranvia que se rompe

de una forma muy irregular.

Sencillo cadaver,

Que Haras Tu Cuando Mueras?



Escrito por Axolotl às 22h48
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Ressurrectus

Continuo minha maratona de estrangeiro em meu corpo. Vejo, vejo e não entendo. A cada passo, ouço a frase

Quo vadis

ressoando, talvez no vazio de meu cérebro. Imagine, se possível, a situação: meus passos nas pedras ecoam no interior de minha cabeça e reverberam, imperfectamente, indistinctos. E a cacofonia pedicura reproduz o discurso em meu entorno

Ele discute a noção de autoria... O Chico é mesmo o máximo... adorei o Atiq... nossa, como ele está velho... olha o Paulo Betti (ninguém olha para ele)... maravilha o Gay Talese... Nossa, essa Catherine Millet... o Markun engordou... O Samuel está muito engraçadinho...

Imperfecto. Imperfectamente. Indistincto.

Ambulâncias, bombeiros cruzam a avenida em grande vitesse. Salvam as vítimas do ônibus que reuniu pessoas no fundo do abismo. Os passos totolam na cabeça...

A solidão do lançamento de uma coletânea que ribomba no cérebro ainda vazio, como o estômago. Garoa. Pessoas indo e vindo, falando de... Paulo Gracindo. Manuel, very well, cuidado com o Lobo, que ele Antunes.

Sozinho, sem editor, nem agente, sem a amiga da hora, Cláudia, que já se tornou paixão passada, sem sequer saber. Sem lembrar, Manuel, que Michael, o outro, já era. E todos caçolam, enquanto do fundo vem o som da manifestação. Que cortem os pés das laranjeiras.

E no Café, o encontro com Lúcia, flor já bem aberta, ainda viçosa e bela, sem história, mas com memória, secretariando Borges, Proust e Flaubert. Eça é a história, Cunha dá bandeira e cachaça.

Ano que vem, ano que vem... Não sei.



Escrito por Axolotl às 22h36
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No comments

"Sei que se eu andar pelas ruas de seu país ninguém vai perceber que não sou brasileiro. Só na hora em que eu abrir a boca"

B. H. Obama, por telefone, ao pres. L. I. L. da Silva.

Esperto. Deu a canelada primeiro. Será que nosso presidente percebe a dubiedade? Como assim?, você pergunta. Ué, na hora em que Mr O abrir a boca, coisas inteligentes sairão. Todo mundo vai perceber que ele não é daqui. Basta ver...



Escrito por Axolotl às 13h23
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O luxo e o trabalho do artífice

Se você já leu na vida, deve conhecer a sensação: de repente, as manchinhas pretas sobre fundo branco formam algo que você bem que poderia ter dito, se tivesse tempo, vontade, talento... Ou então, naquele emaranhado de argumentos, às vezes tão bem tecidos que lembram a mais fina trama, você descobre algo que sempre soube, mas que nunca conseguiu dizer, ou escrever.

Lembrou da sensação?

Entonces, senti um imenso prazer ao ler a coluna do Caligaris hoje no jornal.

Reproduzo o último parágrafo:

"Qual a relevância disso tudo? Pois é, vou parecer catastrofista, mas penso assim: no dia em que formos incapazes de reconhecer e respeitar, no produto, a excelência do artesão, quando não soubermos mais enxergar o trabalho humano nos objetos que usamos, teremos perdido todo interesse pela vida concreta -inclusive pela nossa própria."

Por mais que eu tente, não consigo ir além.



Escrito por Axolotl às 12h48
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Diáspora

Descubro agora, como o marido, que a história da "dupla nacionalidade" do Gilberto Gil - aquele que foi sem nunca ter sido? - já vem de longa data. Dizem os colunistas do cotidiano que Aguinaldo Silva, o noveleiro, levantou a lebre em 2007 no blogue dele, quando estava no ar a novela... Essa.

Algum engraçadinho discorreu sobre a ascendência "afro-italiana" do bardo e filósofo. Não chego a tanto. Mas acho estranha a blindagem conferida ao político-cantor-globalizado. Ninguém mais comentou nada a respeito, nadita de nada. Todo ser humano honesto tem o direito de desfrutar das vantagens advindas da nacionalidade européia, desde que faça, é claro, jus. A notícia, se for verdadeira, faz lembrar de um chavão antigo: o Brasil tem saída: o Galeão (ou Cumbica, se a névoa deixar). E o discurso engajado sobre a superioridade da língua francesa, quero dizer, sobre a importância da africanidade imperativa no arco das relações sociais no Nordeste fica parecendo chuva numa tarde de verão: vem forte, causa impressão e passa logo, deixando só uma lembrança um tanto incômoda.



Escrito por Axolotl às 20h39
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Meu escritório

Atendendo a pedidos do respeitável, aqui está uma foto de meu escritório, onde escrevo (quando não está chovendo) e leio. Falando nisso, estou lendo A Guerra do Peloponeso.



Escrito por Axolotl às 20h27
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De ilusão também se vive

Você certamente não sabia disso. Nas horas vagas, este que vos tecla é produtor teatral e de dança - esta última tem me interessado sobremaneira. Para parecer que minha atividade tem alguma importância, solto a seguir algumas (poucas) fotos de produções do ano passado.



Escrito por Axolotl às 20h25
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Rescaldo - Audiobailarinas

Recuerdos de uma das produções de 2008.

As próprias, SESC Itaquera.

Vídeo-pavão, SESC Pinheiros



Escrito por Axolotl às 20h18
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Rescaldo - Bienal

Alguns recuerdos da Bienal "do vazio" (...).

Tobogã

Uma delícia escorregar do 3º andar... com carpete (muito mais rápido).

O palco, montado pelo Marcão e equipe, na véspera da abertura, ainda sem as cortinas.

Soundcheck do Fischerspooner, durante a tarde do domingo (25/10) - sem mortadela, please.

Casey Spooner



Escrito por Axolotl às 20h13
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